Anápolis (GO) recebe o primeiro plantio de Semeadura Direta na região

Anápolis (GO) recebe o primeiro plantio de Semeadura Direta na região

Diversas iniciativas práticas têm acontecido para restaurar ecossistemas. Por reconhecer essa necessidade, a Organização Das Nações Unidas (ONU) anunciou o período de 2021 a 2031 como a Década da Restauração Ecológica, convidando toda a sociedade a unir forças nesse propósito. Começamos esse ciclo com muita estima no Parque da Cidade, em Anápolis (GO), próximo ao DAIA e às margens da BR 060 que liga Goiânia (GO) a Brasília (DF), pois recebeu em dezembro de 2020 plantio Semeadura Direta (SD) em área de 3.500 m² onde foram incluídas mais de 50 espécies nativas do Cerrado. Foram semeadas espécies herbáceas, arbustivas e arbóreas coletadas e beneficiadas por comunidades tradicionais e ribeirinhas que compõem as redes de sementes existentes no Cerrado brasileiro. A ação pioneira na cidade e na região viabilizada por Antônio Zayec é um esforço da Tikré em parceria com a Prefeitura de Anápolis através do Pró-Água, Instituições privadas (GeoLab) e de ensino e pesquisa (Unievangélica, UEG).
O Parque da Cidade é uma das porções de maior topografia da parte sul da cidade, portanto, com maior potencial de infiltração de águas pluviais e recarga dos níveis freáticos. Inclusive, é nele que temos a nascente do Ribeirão das Antas que é a maior bacia hidrográfica de Anápolis (GO). O Ribeirão foi de extrema importância para o desenvolvimento da cidade, sendo responsável pelo abastecimento de água potável da cidade até 1976, e hoje sofre com degradação e poluição. O Parque abriga fragmentos de diversas formações que compõem o Cerrado, como o cerrado típico, cerradão, vereda e mata de galeria. A pressão gerada pelo crescimento da cidade criou uma demanda de restauração ecológica em parte do território do Parque, ocupado atualmente por gramínea exótica (braquiária) que sofre com queimadas todos os anos. Colocando em risco a população do entorno, a biodiversidade vegetal e faunística do Cerrado, e necessários à manutenção dos serviços ecossistêmicos em áreas de recarga hídrica e corredores ecológicos.

O plantio realizado no Parque da Cidade, assessorado pela TIKRÉ, é um exemplo de que é possível reduzir custo e esforço logístico para iniciar a restauração ecológica em ambientes urbanos. A técnica da SD exclui toda a etapa de cultivo e trato cultural necessários com uma muda até o momento do plantio em campo, bem como reduz a logística de transporte e o plantio. Enquanto o plantio de mudas convencional utiliza 1667 mudas por hectare, ou seja, 0,17 árvores por m2, a semeadura direta a média é de 20 sementes por m², o que garante alta densidade de árvores em curto prazo e cobertura do solo em área total, uma vez que são também semeadas espécies nativas de cobertura. A técnica da SD é uma linha de pesquisa recente no Brasil, mas que vem sendo praticada há anos e se relaciona em algum momento com outros termos, tais como reflorestamento, recuperação, florestamento, revegetação.
Retornamos ao Parque da Cidade em fevereiro de 2021 e encontramos mais de 20 espécies germinadas, 15 delas espécies de árvores (aproximadamente 3 árvores por m²), em apenas 40 dias após a semeadura direta. Com o período chuvoso se estendendo até abril de 2021 é esperado que ainda mais espécies germinem e se estabeleçam no local, além da progressiva cobertura do solo composto por gramíneas nativas do Cerrado.
Esse tipo de iniciativa é um exemplo do que desenvolvemos no tema de Restauração Ecológica na TIKRÉ.

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